(Carlos Drummond de Andrade)
Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta,
De sol quando acorda,
De flor quando ri.
Ao lado delas,
a gente se sente no balanço de uma rede que dança gostoso numa tarde grande,
sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas,
a gente se sente comendo pipoca na praça,
lambuzando o queixo de sorvete,
melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro e a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.
Tem gente que tem cheiro de colo de Deus,
de banho de mar quando a água é quente e o céu é azul.
Ao lado delas,
a gente sabe que os anjos existem e que alguns são invisíveis.
Ao lado delas,
a gente se sente chegando em casa e trocando o salto pelo chinelo,
sonhando a maior tolice do mundo com o gozo de quem não liga pra isso.
Ao lado delas,
pode ser abril, mas parece manhã de Natal do tempo em que a gente acordava e encontrava o presente do Papai Noel.
Tem gente que tem cheiro das estrelas que Deus acendeu no céu e daquelas que conseguimos acender na Terra.
Ao lado delas,
a gente não acha que o amor é possível,
a gente tem certeza.
Ao lado delas,
a gente se sente visitando um lugar feito de alegria,
recebendo um buquê de carinhos,
abraçando um filhote de urso panda,
tocando com os olhos os olhos da paz.
Ao lado delas,
saboreamos a delícia do toque suave que sua presença sopra no nosso coração.
Tem gente que tem cheiro de cafuné sem pressa,
do brinquedo que a gente não largava,
do acalanto que o silêncio canta,
de passeio no jardim.
Ao lado delas,
a gente percebe que a sensualidade é um perfume que vem de dentro
e que a atração que realmente nos move não passa só pelo corpo,
corre em outras veia pulsa em outro lugar.
Ao lado delas,
a gente lembra que no instante em que rimos Deus está conosco,
juntinho ao nosso lado e a gente ri grande que nem menino arteiro.
Tem gente, como você,
que nem percebe como tem a alma perfumada!
E que esse perfume é dom de Deus.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Mulheres...
Meu cérebro, às vezes, é diferente das demais mulheres que eu conheço. Não sei se é genético, mas acredito que fui obrigada a ser um pouco desapegada da vida e cresci com um cérebro lógico, matemático, enquanto a maioria das mulheres que eu tive contato tem um cérebro, digamos, mais emocional, mais humano.
Eu, por exemplo, nunca pensei em me casar. Há uns 4 anos atrás (eu tinha 26 anos), uma amiga da minha mãe comentou comigo que eu seria como a irmã dela: uma mulher independente. Mas o que ela quis dizer, na verdade, é que eu seria solteirona. E eu ri e concordei, com um certo orgulho: realmente acredito que serei mesmo. Por que ser solteirona nunca me incomodou. Como eu disse, nunca pensei que eu fosse me casar.
Ao contrário de mim, dezenas de amigas sonhavam com o vestido branco a ponto de manter um eterno regime para o tão sonhado dia. Algumas me contaram que com 2 semanas de namoro já estavam montando o enxoval. Outras ainda se desesperam porque o namorado não pensa em casar ou, no pior caso, não tem um namorado fixo. Todas sofrem muito por isso, por esta espera, por este sonho que ainda não se realizou e que temem não se realizar.
E eu, que nunca pensei em vestido branco, e abomino a visão do meu corpinho roliço dentro de um, casei no cartório sem sequer um familiar ou amigo (presença exclusiva apenas da minha mãe e dos meus sogros). É que, falaaverdade, cartório é uma coisa totalmente sem glamour, não é mesmo? Um acontecimento apenas para o jurídico e nada mais. Mas mesmo assim, fui e sou super criticada por meu "individualismo" e por não querer que a família e os amigos fizessem parte deste momento tão especial da minha vida. O que a grande maioria não entende é que não é nada disso, não tem nada a ver com individualismo, ou querer compartilhar o momento. Tem a ver com o meu "jeitinho", que é diferente dos demais.
Hoje conversei com uma amiga que não tinha contato há muuuitos anos. Ela me ligou, conversamos e quando contei que casei, me xingou por longos 2 minutos. Logo em seguida começou a lamentar que não tinha namorado e que não aguentava mais esperar pelo seu casamento... que é o maior sonho dela. No fim ela ainda concluiu brincando: "inacreditável, até você casou." hahahahaha
Ri, mas fiquei comovida e pensando o motivo de ter acontecido comigo e com ela não. Bem, acho que não aconteceu com ela porque ela tem muita vontade que aconteça. Casar é o objetivo de vida dela, o maior sonho, o tudo. É desesperador. E quanto mais os anos passam, mais ela acredita que as chances dela estão diminuindo. Eu, que estou de fora, acho isso uma bobagem sem tamanho, mas ela que está vivendo a situação, sofre muito.
Eu acredito que só aconteceu comigo porque eu não pensava que isso iria acontecer. Nunca acreditei que uma relação fosse eterna ou fosse dar em casamento comigo. E esta minha descrença nunca teve relação com baixa auto-estima ou insegurança não, é que sempre soube como sou nojenta de se conviver. Como eu disse, era um saber quase matemático, do tipo, se isso é X, o resultado é Y e Y = 1.
Sempre acreditei que todos nascem sozinhos e que não há problema algum de viver assim. Se aparecer alguém no meio do caminho, beleza! Se não aparecer, "continue a nadar".
Eu, por exemplo, nunca pensei em me casar. Há uns 4 anos atrás (eu tinha 26 anos), uma amiga da minha mãe comentou comigo que eu seria como a irmã dela: uma mulher independente. Mas o que ela quis dizer, na verdade, é que eu seria solteirona. E eu ri e concordei, com um certo orgulho: realmente acredito que serei mesmo. Por que ser solteirona nunca me incomodou. Como eu disse, nunca pensei que eu fosse me casar.
Ao contrário de mim, dezenas de amigas sonhavam com o vestido branco a ponto de manter um eterno regime para o tão sonhado dia. Algumas me contaram que com 2 semanas de namoro já estavam montando o enxoval. Outras ainda se desesperam porque o namorado não pensa em casar ou, no pior caso, não tem um namorado fixo. Todas sofrem muito por isso, por esta espera, por este sonho que ainda não se realizou e que temem não se realizar.
E eu, que nunca pensei em vestido branco, e abomino a visão do meu corpinho roliço dentro de um, casei no cartório sem sequer um familiar ou amigo (presença exclusiva apenas da minha mãe e dos meus sogros). É que, falaaverdade, cartório é uma coisa totalmente sem glamour, não é mesmo? Um acontecimento apenas para o jurídico e nada mais. Mas mesmo assim, fui e sou super criticada por meu "individualismo" e por não querer que a família e os amigos fizessem parte deste momento tão especial da minha vida. O que a grande maioria não entende é que não é nada disso, não tem nada a ver com individualismo, ou querer compartilhar o momento. Tem a ver com o meu "jeitinho", que é diferente dos demais.
Hoje conversei com uma amiga que não tinha contato há muuuitos anos. Ela me ligou, conversamos e quando contei que casei, me xingou por longos 2 minutos. Logo em seguida começou a lamentar que não tinha namorado e que não aguentava mais esperar pelo seu casamento... que é o maior sonho dela. No fim ela ainda concluiu brincando: "inacreditável, até você casou." hahahahaha
Ri, mas fiquei comovida e pensando o motivo de ter acontecido comigo e com ela não. Bem, acho que não aconteceu com ela porque ela tem muita vontade que aconteça. Casar é o objetivo de vida dela, o maior sonho, o tudo. É desesperador. E quanto mais os anos passam, mais ela acredita que as chances dela estão diminuindo. Eu, que estou de fora, acho isso uma bobagem sem tamanho, mas ela que está vivendo a situação, sofre muito.
Eu acredito que só aconteceu comigo porque eu não pensava que isso iria acontecer. Nunca acreditei que uma relação fosse eterna ou fosse dar em casamento comigo. E esta minha descrença nunca teve relação com baixa auto-estima ou insegurança não, é que sempre soube como sou nojenta de se conviver. Como eu disse, era um saber quase matemático, do tipo, se isso é X, o resultado é Y e Y = 1.
Sempre acreditei que todos nascem sozinhos e que não há problema algum de viver assim. Se aparecer alguém no meio do caminho, beleza! Se não aparecer, "continue a nadar".
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Autopropaganda.
Este post está mais para "tô brega mas tô na moda" do que uma autopropaganda.
Gentem, é minha primeira vez!!! ;-)
http://www.revistaencontro.com.br/edicao/98/a-vez-do-raio-azul
Cheguei de férias hoje. Estou cansada!!!
Gentem, é minha primeira vez!!! ;-)
http://www.revistaencontro.com.br/edicao/98/a-vez-do-raio-azul
Cheguei de férias hoje. Estou cansada!!!
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Lisa
Eu tenho uma cadela, a Lisa.
Na verdade ela não é minha, mas da família. Nem sou a pessoa preferida dela.
Ela gosta em primeiro lugar do meu marido. Em segundo, acho que da minha mãe. Eu devo ser a terceira, mas nem tenho certeza. Não faz mal. Eu amo a Lisa e não estou competindo pelo amor dela.
Só sei que na vida dela eu sou aquela que mais se preocupa com seu bem-estar. Não que meu marido não se preocupe, mas sou eu a mais maluca-chorona-preocupada-neurótica.
Sou eu que vejo se ela tem comida, se tem água fresca, se entrou formiga no potinho, se ela precisa passear, se está feliz ou não. Sou eu que todas as manhãs limpo seus olhos, dou beijos, converso e escovo o seu pêlo. Abro a porta quando ela a arranha e pego os brinquedos que cairam embaixo da cama ou sofá.
Fico pensando se ela está com frio, com calor. Sou eu que compro a ração, biscoito e petisco. Sou eu que choro quando ela não come.
Quando vamos passear sempre dou um jeito de fazer com que ela pare onde deseja para cheirar novidades.
E mesmo com toda minha dedicação, basta um chamado do meu marido, a pessoa predileta dela, para que a Lisa se vá.
Isso, para mim, não é ingratidão, é lição de vida. O meu amor por ela é meu. É meu amor.
É o amor que ela faz brotar em mim, que ela planta em mim. E que eu vejo dia a dia florescer.
Ela me faz sentir, com seu jeitinho de bicho, um sentimento genuíno, que nada pede em troca.
Ela me faz assim, canina. Fiel, generosa, sem rancores.
Acho que a Lisa me ensinou a ser um pouco cachorro e isso faz de mim uma pessoa melhor.
Este texto foi copiado da Rosana Hermann, do Blog "Querido Leitor". Eu o adaptei para a minha realidade com a minha Lisa, como forma de gratidão.
Quem quiser ler o texto original: http://queridoleitor.zip.net
Como bem disse o meu amigo Moisés: "Cachorro é um bicho muito legal. Acho que Deus os fez sob medida."
Na verdade ela não é minha, mas da família. Nem sou a pessoa preferida dela.
Ela gosta em primeiro lugar do meu marido. Em segundo, acho que da minha mãe. Eu devo ser a terceira, mas nem tenho certeza. Não faz mal. Eu amo a Lisa e não estou competindo pelo amor dela.
Só sei que na vida dela eu sou aquela que mais se preocupa com seu bem-estar. Não que meu marido não se preocupe, mas sou eu a mais maluca-chorona-preocupada-neurótica.
Sou eu que vejo se ela tem comida, se tem água fresca, se entrou formiga no potinho, se ela precisa passear, se está feliz ou não. Sou eu que todas as manhãs limpo seus olhos, dou beijos, converso e escovo o seu pêlo. Abro a porta quando ela a arranha e pego os brinquedos que cairam embaixo da cama ou sofá.
Fico pensando se ela está com frio, com calor. Sou eu que compro a ração, biscoito e petisco. Sou eu que choro quando ela não come.
Quando vamos passear sempre dou um jeito de fazer com que ela pare onde deseja para cheirar novidades.
E mesmo com toda minha dedicação, basta um chamado do meu marido, a pessoa predileta dela, para que a Lisa se vá.
Isso, para mim, não é ingratidão, é lição de vida. O meu amor por ela é meu. É meu amor.
É o amor que ela faz brotar em mim, que ela planta em mim. E que eu vejo dia a dia florescer.
Ela me faz sentir, com seu jeitinho de bicho, um sentimento genuíno, que nada pede em troca.
Ela me faz assim, canina. Fiel, generosa, sem rancores.
Acho que a Lisa me ensinou a ser um pouco cachorro e isso faz de mim uma pessoa melhor.
Este texto foi copiado da Rosana Hermann, do Blog "Querido Leitor". Eu o adaptei para a minha realidade com a minha Lisa, como forma de gratidão.
Quem quiser ler o texto original: http://queridoleitor.zip.net
Como bem disse o meu amigo Moisés: "Cachorro é um bicho muito legal. Acho que Deus os fez sob medida."
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Propaganda da Coca-Cola.
O vídeo diz tudo, mas se você não consegue assistir ao vídeo, coloquei o texto dele, mais abaixo.
Trata-se de uma propaganda relativamente simples da coca-cola, onde um homem de 102 anos vai conhecer um bebê que acabou de nascer.
A mensagem que ele quer passar para o bebê é simples também. Simples verdade.
Me fez chorar.
Eu sou uma sortuda.
Olá Aitana!
Me chamo Josep Mascaró e tenho 102 anos.
Sou um sortudo.
Sorte por ter nascido, como você.
Por poder abraçar a minha esposa.
Por ter conhecido meus amigos.
Por ter me despedido deles.
Por continuar aqui.
E você perguntará por que venho lhe conhecer hoje.
É porque muitos lhe dirão que você veio ao mundo num momento ruim.
Que há crise, isso e aquilo.
Isso irá torná-lo forte.
Eu vivi momentos piores que este.
E no final, você só vai se lembrar das coisas boas.
Não se preocupe com bobagens e vá buscar o que te faz feliz.
Por que o tempo passa muito rápido.
Eu vivi 102 anos e te asseguro:
- A única coisa que você não vai gostar na vida é que ela vai parecer muito curta!
Você está aqui para ser feliz.
Trata-se de uma propaganda relativamente simples da coca-cola, onde um homem de 102 anos vai conhecer um bebê que acabou de nascer.
A mensagem que ele quer passar para o bebê é simples também. Simples verdade.
Me fez chorar.
Eu sou uma sortuda.
Olá Aitana!
Me chamo Josep Mascaró e tenho 102 anos.
Sou um sortudo.
Sorte por ter nascido, como você.
Por poder abraçar a minha esposa.
Por ter conhecido meus amigos.
Por ter me despedido deles.
Por continuar aqui.
E você perguntará por que venho lhe conhecer hoje.
É porque muitos lhe dirão que você veio ao mundo num momento ruim.
Que há crise, isso e aquilo.
Isso irá torná-lo forte.
Eu vivi momentos piores que este.
E no final, você só vai se lembrar das coisas boas.
Não se preocupe com bobagens e vá buscar o que te faz feliz.
Por que o tempo passa muito rápido.
Eu vivi 102 anos e te asseguro:
- A única coisa que você não vai gostar na vida é que ela vai parecer muito curta!
Você está aqui para ser feliz.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Inverno dentro de mim
De todas as coisas profissionais ruins que me aconteceram durante toda a vida, a que mais mexeu comigo até agora, foi ter sido mandada embora do meu último emprego há 20 dias.
Talvez o simples fato de ter sido mandada embora pela primeira vez já tenha sido suficiente para me tirar o chão, mas como isso aconteceu em um momento muito "diferente" da minha vida (digamos assim), o que eu senti foi bem pior do que perder o chão.
Aquele foi o primeiro lugar que eu gostei de trabalhar em segundos, nem precisei esperar passar o terrível primeiro mês, a constrangedora adaptação para, no fim, gostar do lugar por aceitação. Foi questão de segundos mesmo. Foi também o primeiro lugar onde as amizades pareciam muito antigas, muito queridas e sem aqueles teatros iniciais, onde você tenta ser mais educado, ou mais ouvinte do que realmente é, para conquistar os colegas. Lá sempre foi tudo muito transparente, muito leve, muito confortável e foi o único emprego que, até hoje, me fez cogitar trabalhar a vida toda.
Houve um tempo em que eu trocava de emprego de 6 em 6 meses por vontade própria. Houve um tempo que eu comprei um apartamento e precisava de dinheiro, daí eu fiz horas extras durante 4 anos. Houve um tempo onde as águas eram claras, o gramado era verde e o céu era muito azul.
Talvez seja por isso que eu ainda sinta tanto. Talvez seja por isso que eu ainda esteja anestesiada, sem rumo, sem vontade de levantar da cama e perceber que o novo dia chegou.
Ou talvez seja só porque é inverno, porque a cama é mais gostosa, porque a fome é mais intensa e eu precise mesmo de um tempo pra voltar a querer ver o sol nascer.
Talvez o simples fato de ter sido mandada embora pela primeira vez já tenha sido suficiente para me tirar o chão, mas como isso aconteceu em um momento muito "diferente" da minha vida (digamos assim), o que eu senti foi bem pior do que perder o chão.
Aquele foi o primeiro lugar que eu gostei de trabalhar em segundos, nem precisei esperar passar o terrível primeiro mês, a constrangedora adaptação para, no fim, gostar do lugar por aceitação. Foi questão de segundos mesmo. Foi também o primeiro lugar onde as amizades pareciam muito antigas, muito queridas e sem aqueles teatros iniciais, onde você tenta ser mais educado, ou mais ouvinte do que realmente é, para conquistar os colegas. Lá sempre foi tudo muito transparente, muito leve, muito confortável e foi o único emprego que, até hoje, me fez cogitar trabalhar a vida toda.
Houve um tempo em que eu trocava de emprego de 6 em 6 meses por vontade própria. Houve um tempo que eu comprei um apartamento e precisava de dinheiro, daí eu fiz horas extras durante 4 anos. Houve um tempo onde as águas eram claras, o gramado era verde e o céu era muito azul.
Talvez seja por isso que eu ainda sinta tanto. Talvez seja por isso que eu ainda esteja anestesiada, sem rumo, sem vontade de levantar da cama e perceber que o novo dia chegou.
Ou talvez seja só porque é inverno, porque a cama é mais gostosa, porque a fome é mais intensa e eu precise mesmo de um tempo pra voltar a querer ver o sol nascer.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Rubem Alves
"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."
Preciso acreditar nisso...
Preciso acreditar nisso...
quinta-feira, 4 de junho de 2009
15 dias
Em 15 dias eu perdi uma querida amiga e perdi o meu querido emprego.
Só posso dizer que a partir de agora a sorte está do meu lado.
Amanhã tenho que lembrar de ir na lotérica.
Só posso dizer que a partir de agora a sorte está do meu lado.
Amanhã tenho que lembrar de ir na lotérica.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Querência
Hoje o meu sonho é ter a vida de uma propaganda de margarina.
Quero ter um casal de gêmeos (combinei com o marido apenas 1 gravidez, então tem que ser PERFEITA).
Quero ter 4 beagles fêmeas, todas iguais a Lisa.
Quero uma casa com um quintal grandão e lindo, com plantas, com piscina, e até com uma hortinha (que eu vou lutar muito pra fazer sobreviver).
Quero espaço pras crianças e os cachorros brincarem.
Quero minha mãe e meus amigos sempre perto de mim.
Quero acordar cedo, fazer o café da manhã e ter a mesa cheia de risadas gostosas.
Quero atividades físicas após o café da manhã.
Quero uma alimentação equilibrada, saudável e feita com amor (Pizza, sanduíche e chocolate fazem parte desta alimentação).
Quero saúde pra mim e pra minha família.
Quero poder educar os meus filhos com tempo.
Quero poder cuidar da casa.
Quero poder levar minha filha na escola, no karatê e no ballet.
Quero poder levar meu filho na escola, no judô e no futebol.
Quero fazer natação junto com meus filhos e meu marido.
Quero muito bom-humor.
Quero a casa cheia no fim de semana.
E quero dinheiro suficiente pra essas pequenas coisas.
Dizem que em algumas épocas da vida o hormônio feminino fala mais alto. No meu caso eu acredito que a fase "viva a vida pois a vida é curta" está falando mais alto que meus hormônios femininos.
Efeito causado quando a gente perde alguém que a gente ama. Efeito causado quando a gente começa a perceber que os nossos dias são todos iguais e todos meio-vazios, parece que faltando "alguma coisa".
Por sorte eu já tenho a Lisa e o Clayton. Parte do meu sonho já começou a se realizar.
Quero ter um casal de gêmeos (combinei com o marido apenas 1 gravidez, então tem que ser PERFEITA).
Quero ter 4 beagles fêmeas, todas iguais a Lisa.
Quero uma casa com um quintal grandão e lindo, com plantas, com piscina, e até com uma hortinha (que eu vou lutar muito pra fazer sobreviver).
Quero espaço pras crianças e os cachorros brincarem.
Quero minha mãe e meus amigos sempre perto de mim.
Quero acordar cedo, fazer o café da manhã e ter a mesa cheia de risadas gostosas.
Quero atividades físicas após o café da manhã.
Quero uma alimentação equilibrada, saudável e feita com amor (Pizza, sanduíche e chocolate fazem parte desta alimentação).
Quero saúde pra mim e pra minha família.
Quero poder educar os meus filhos com tempo.
Quero poder cuidar da casa.
Quero poder levar minha filha na escola, no karatê e no ballet.
Quero poder levar meu filho na escola, no judô e no futebol.
Quero fazer natação junto com meus filhos e meu marido.
Quero muito bom-humor.
Quero a casa cheia no fim de semana.
E quero dinheiro suficiente pra essas pequenas coisas.
Dizem que em algumas épocas da vida o hormônio feminino fala mais alto. No meu caso eu acredito que a fase "viva a vida pois a vida é curta" está falando mais alto que meus hormônios femininos.
Efeito causado quando a gente perde alguém que a gente ama. Efeito causado quando a gente começa a perceber que os nossos dias são todos iguais e todos meio-vazios, parece que faltando "alguma coisa".
Por sorte eu já tenho a Lisa e o Clayton. Parte do meu sonho já começou a se realizar.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Minha querida amiga

Algumas coisas estranhas pegam a gente muito de surpresa e a gente fica sem saber o que fazer.
A Fernanda, minha amiga da foto, odiava esta foto. Quando enviei pra ela da primeira vez ela respondeu, por e-mail: "QUEIMA!".
Eu respondi dizendo que não era possível queimar porque era digital e ela respondeu: "Então espera eu chegar na sua casa pra você ver!"
Esta foto foi tirada em janeiro de 2006. Não lembro exatamente o dia do mês, mas sei que foi numa segunda ou terça-feira porque ela me ligou a noite dizendo que estava passando na minha casa para gente ir em um churrasco.
Eu sempre topava essas coisas de última hora porque sempre foi muito divertido. Neste dia não foi diferente. Não fosse a luz ter acabado em algum momento por causa de uma tempestade, o churrasco teria durado a noite toda.
Fomos amigas íntimas por 11 anos e hoje eu recebi a notícia que ela faleceu. Acabei de chegar do velório depois de um longo dia chorando. Minha cabeça está estourando de dor, mas não consegui dormir. Não sei se o momento é certo para escrever porque vai doer muito em mim, mas preciso muito desabafar de outra forma além do choro.
Ela teve uma embolia. Há mais ou menos 1 mês ela fez uma cirurgia e estava bem. Já estava em casa e já havia voltado a trabalhar, mas hoje de manhã ela passou mal e antes de chegar no hospital, faleceu.
Ela tinha 31 anos. Trinta e um. Estava noiva. Havia acabado de comprar uma casa com o noivo e, em 11 anos de amizade, nunca a vi mais feliz.
Desde que recebi a notícia minha cabeça está a mil. Mil imagens, mil lembranças, mil histórias, mil risadas, mil viagens, mil segredos, mil pessoas. Algumas quedas, alguns momentos tristes. Tudo está aqui, na frente dos meus olhos. Tudo ao mesmo tempo.
Sabe a imagem que você tem guardada quando lembra da época faculdade?
Sabe a imagem das viagens de carnaval, de feriados prolongados, nos seus "bons e velhos tempos" de juventude que você não tinha muito dinheiro, mas se divertia horrores?
E quando você lembra de uma história MUITO engraçada que você viveu?
Em todas estas minhas imagens, a imagem dela está presente.
Em quase todos os momentos da minha vida, desde que eu a conheci, nos bons e nos ruins, ela esteve próxima.
E eu simplesmente não sei como vai ser a minha vida sabendo que eu nunca mais vou encontrar com ela, nem conversar, nem rir, nem compartilhar um segredo, nem reclamar, nem discutir por bobagem, nem nada.
Eu não sei o que eu vou fazer com tudo o que eu ainda tinha pra falar. A propósito, pra onde vão as palavras se agora não tem a pessoa pra ouvir?
O que eu faço com o ímpeto de ligar pra ela pra contar alguma novidade, ou alguma fofoca?
O que eu faço com o caminho que me levava pra sua casa?
O que eu faço com esta dor que ainda não me fez acreditar que tudo isso aconteceu?
O que eu faço pra acordar deste pesadelo?
Estou perdida. Estou zonza.
Quero minha amiga de volta.
Volta Fer, por favor.
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